Este salmo é uma longa lição de memória: Deus agiu de forma espantosa, e o povo, mesmo assim, esqueceu de novo. É uma pergunta honesta sobre a nossa própria memória.
72 versículosTambém Salmo 77Bíblia Ave Maria
O que é o Salmo 78 e quando orar com ele?
O Salmo 78 é um dos mais longos salmos que recontam a história do povo, atribuído a Asaf. Ele conta, em detalhes, os milagres de Deus no Egito e no deserto e as repetidas vezes em que o povo esqueceu essas obras logo depois de vê-las. É orado como um chamado sério a não esquecer o que Deus já fez, para contar essa história aos filhos.
Bíblia Ave Maria
Hino de Asaf.
1Escuta, ó meu povo, minha doutrina; às palavras de minha boca presta atenção.
2Abrirei os lábios, pronunciarei sentenças, desvendarei os mistérios das origens.
3O que ouvimos e aprendemos, através de nossos pais,
4nada ocultaremos a seus filhos, narrando à geração futura os louvores do Senhor, seu poder e suas obras grandiosas.
5Ele promulgou uma lei para Jacó, instituiu a legislação de Israel, para que aquilo que confiara a nossos pais, eles o transmitissem a seus filhos,
6a fim de que a nova geração o conhecesse, e os filhos que lhes nascessem pudessem também contar aos seus.
7Aprenderiam, assim, a pôr em Deus sua esperança, a não esquecer as divinas obras, a observar as suas leis;
8e a não se tornar como seus pais, geração rebelde e contumaz, de coração desviado, de espírito infiel a Deus.
9Os filhos de Efraim, hábeis no arco, voltaram as costas no dia do combate.
10Não guardaram a divina aliança, recusaram observar a sua Lei.
11Eles esqueceram suas obras, e as maravilhas operadas ante seus olhos.
12Em presença de seus pais, ainda em terras do Egito, ele fez grandes prodígios nas planícies de Tânis.
13O mar foi dividido para lhes dar passagem, represando as águas, verticais como um dique;
14De dia ele os conduziu por trás de uma nuvem, e à noite ao clarão de uma flama.
15Rochedos foram fendidos por ele no deserto, com torrentes de água os dessedentara.
16Da pedra fizera jorrar regatos, e fluir água como rios.
17Entretanto, continuaram a pecar contra ele, e a se revoltar contra o Altíssimo no deserto.
18Provocaram o Senhor em seus corações, reclamando iguarias de suas preferências.
19E falaram contra Deus: “Deus será capaz de nos servir uma mesa no deserto?
20Eis que feriu a rocha para fazer jorrar dela água em torrentes. Mas poderia ele nos dar pão e preparar carne para seu povo?”.
21O Senhor ouviu e se irritou: sua cólera se acendeu contra Jacó, e sua ira se desencadeou contra Israel,
22porque não tiveram fé em Deus, nem confiaram em seu auxílio.
23Contudo, ele ordenou às nuvens do alto, e abriu as portas do céu:
24fez chover o maná para saciá-los, deu-lhes o trigo do céu.
25Pôde o homem comer o pão dos fortes, e lhes mandou víveres em abundância,
26depois fez soprar no céu o vento leste, e seu poder levantou o vento sul.
27Fez chover carnes, então, como poeira, numerosas aves como as areias do mar,
28As quais caíram em seus acampamentos, ao redor de suas tendas.
29Delas comeram até se fartarem e satisfazerem os seus desejos.
30Mas apenas o apetite saciaram, estando-lhes na boca ainda o alimento,
31desencadeia-se contra eles a cólera divina, fazendo perecer a sua elite, e prostrando a juventude de Israel.
32Malgrado tudo isso, persistiram em pecar, não se deixaram persuadir por seus prodígios.
33Então, Deus pôs súbito termo a seus dias, e seus anos tiveram repentino fim.
34Quando os feria, eles o procuravam, e de novo se voltavam para Deus.
35E se lembravam que Deus era o seu rochedo, e que o Altíssimo lhes era o salvador.
36Mas suas palavras enganavam, e lhe mentiam com a sua língua.
37Seus corações não falavam com franqueza, não eram fiéis à sua aliança.
38Mas ele, por compaixão, perdoava-lhes a falta e não os exterminava. Muitas vezes reteve sua cólera, não se entregando a todo o seu furor.
39Sabendo que eles eram simples carne, um sopro só, que passa sem voltar.
40Quantas vezes no deserto o provocaram, e na solidão o afligiram!
41Recomeçaram a tentar a Deus, a exasperar o Santo de Israel.
42Esqueceram a obra de suas mãos, no dia em que os livrou do adversário,
43quando operou seus prodígios no Egito e maravilhas nas planícies de Tânis;
44quando converteu seus rios em sangue, a fim de impedi-los de beber de suas águas;
45quando enviou moscas para os devorar e rãs que os infestaram;
46quando entregou suas colheitas aos pulgões, e aos gafanhotos o fruto de seu trabalho;
47quando arrasou suas vinhas com o granizo, e suas figueiras com a geada;
48quando extinguiu seu gado com saraivadas, e seus rebanhos pelos raios;
49quando descarregou o ardor de sua cólera, indignação, furor, tribulação, um esquadrão de anjos da desgraça.
50Deu livre curso à sua cólera; longe de preservá-los da morte, ele entregou à peste os seres vivos.
51Matou os primogênitos no Egito, os primeiros partos nas habitações de Cam,
52enquanto retirou seu povo como ovelhas, e o fez atravessar o deserto como rebanho.
53Conduziu-o com firmeza sem nada ter que temer, enquanto aos inimigos os submergiu no mar.
54Ele os levou para uma terra santa, até os montes que sua destra conquistou.
55Ele expulsou nações diante deles, distribuiu-lhes as terras como herança, fez habitar em suas tendas as tribos de Israel.
56Mas ainda tentaram a Deus e provocaram o Altíssimo, e não observaram os seus preceitos.
57Transviaram-se e prevaricaram como seus pais, erraram o alvo, como um arco mal entesado.
58Provocaram-lhe a ira com seus lugares altos, e inflamaram-lhe o zelo com seus ídolos.
59À vista disso, Deus se encolerizou e rejeitou Israel severamente.
60Abandonou o santuário de Siló, tabernáculo onde habitara entre os homens.
61Deixou conduzir cativa a arca de sua força, permitiu que a arca de sua glória caísse em mãos inimigas.
62Abandonou seu povo à espada, e se irritou contra a sua herança.
63O fogo devorou sua juventude, suas filhas não encontraram desponsório.
64Seus sacerdotes pereceram pelo gládio, e as viúvas não choraram mais seus mortos.
65Então, o Senhor despertou como de um sono, como se fosse um guerreiro dominado pelo vinho.
66E feriu pelas costas os inimigos, infligindo-lhes eterna ignomínia.
67Rejeitou o tabernáculo de José, e repeliu a tribo de Efraim.
68Mas escolheu a de Judá e o monte Sião, monte de predileção.
69Construiu seu santuário, qual um céu, estável como a terra, firmada para sempre.
70Escolhendo a Davi, seu servo, e o tomando dos apriscos das ovelhas.
71Chamou-o do cuidado das ovelhas e suas crias, para apascentar o rebanho de Jacó, seu povo, e de Israel, sua herança.
72Davi foi para eles um pastor reto de coração, que os dirigiu com mão prudente.
1Escuta, ó meu povo, minha instrução; inclinai vossos ouvidos às palavras de minha boca.
2Abrirei minha boca em parábolas; falarei enigmas da antiguidade,
3que ouvimos e conhecemos, e nossos pais nos contaram.
4Nós não os encobriremos aos seus filhos, contaremos à próxima geração os louvores do SENHOR, assim como sua força, e suas maravilhas que ele fez.
5Porque ele estabeleceu um testemunho em Jacó, e pôs a Lei em Israel; ele instruiu aos nossos pais, para que os ensinassem a seus filhos;
6para que a geração futura os conhecesse, os filhos que nascessem; e eles contassem a seus filhos;
7A fim de que pusessem sua esperança em Deus, e não se esquecessem dos feitos de Deus, mas guardassem os mandamentos dele;
8e não fossem como seus ancestrais, uma geração teimosa e rebelde; geração que não firmou seu coração, e cujo espírito não foi fiel a Deus.
9Os filhos de Efraim, estando armados e com arcos, voltaram-se de costas no dia da batalha.
10Não guardaram o pacto de Deus, e recusaram a andar em sua Lei.
11E esqueceram-se de seus feitos, e de suas maravilhas que lhes havia mostrado.
12Maravilhas ele fez perante seus ancestrais na terra do Egito, no campo de Zoã.
13Dividiu o mar, e os fez passar por ele; fez parar as águas como um amontoado.
14De dia ele os guiou com uma nuvem, e toda a noite com uma luz de fogo.
15Fendeu as rochas no deserto, e deu -lhes de beber como de abismos profundos.
16Ele fez sair fontes da rocha, e fez correr as águas como rios.
17Mas prosseguiram em pecar contra ele, rebelando-se contra o Altíssimo no deserto.
18E tentaram a Deus em seus corações, pedindo comida de acordo com seu próprio desejo.
19E falaram contra Deus, e disseram: “Acaso pode Deus preparar uma mesa de alimento no deserto?
20Eis que ele feriu a rocha, e águas correram, e ribeiros fluíram em abundância; poderá ele também dar pão, ou preparar carne para o seu povo?”
21Por isso o SENHOR ouviu, e se indignou; e acendeu-se um fogo contra Jacó, e o furor também subiu contra Israel;
22porque não creram em Deus, nem confiaram no socorro dele.
23Ainda assim, ele deu ordens às altas nuvens, e abriu as portas dos céus;
24e choveu sobre eles o maná, para comerem; e lhes deu cereal dos céus.
25Seres humanos comeram o pão dos anjos; ele lhes mandou comida com fartura.
26Fez soprar o vento do oriente nos céus, e trouxe o vento do sul com seu poder.
27E fez chover sobre eles carne como pó; e aves de asas como a areia do mar;
28e as fez cair no meio de seu acampamento, ao redor de suas habitações.
29Então comeram, e se fartaram bem; e cumpriu o desejo deles.
30Mas não se deram por satisfeitos. A comida ainda estava em suas bocas,
31quando a ira de Deus subiu contra eles; matou os mais robustos deles e abateu os jovens de Israel.
32Com tudo isso ainda pecaram, e não creram em suas maravilhas.
33Por isso ele consumiu os dias deles em futilidade, e seus anos em terror.
34Quando matava alguns deles, então o procuravam, e voltavam, e insistentemente buscavam a Deus.
35E se lembravam de que Deus era sua rocha, e o Deus Altíssimo, seu Redentor.
36Porém o lisonjeavam com suas bocas, e com suas línguas mentiam para ele.
37Porque o coração deles não era firme para com ele, nem foram fiéis no pacto dele.
38Porém ele, sendo misericordioso, perdoava a perversidade deles, e não os destruía; em vez disso, muitas vezes desviou sua ira, e não despertou todo o seu furor.
39E lembrou-se de que eles eram simplesmente carne, e um vento que vai, e não volta mais.
40Quantas vezes se rebelaram contra ele no deserto, e causaram-lhe desgosto no lugar solitário!
41Voltavam a tentar a Deus, e provocavam o Santo de Israel.
42Não se lembravam do poder dele, nem do dia em que ele os livrou do adversário.
43Como ele realizou seus sinais no Egito, e suas maravilhas no campo de Zoã.
44E tornou seus rios em sangue, e suas correntes, para que não pudessem beber.
45Enviou entre eles enxames de moscas, que os consumiram; e rãs, que os destruíram.
46Deu também suas colheitas ao pulgão, e o trabalho deles ao gafanhoto.
47Destruiu suas vinhas com granizo, e seus sicômoros com geada.
48Também entregou seu gado ao granizo, e seus rebanhos aos raios.
49Lançou sobre eles o ardor de sua ira, furor, indignação, e angústia, mandando mensageiros da adversidade.
50Preparou caminho à sua ira; não poupou suas almas da morte, mas entregou suas vidas à peste.
51E feriu de morte todo primogênito no Egito, as primícias das forças nas tendas de Cam.
52Mas ao seu povo ele fez sair como ovelhas, e os guiou pelo deserto como um rebanho.
53E os conduziu em segurança, e não temeram; mas o mar cobriu seus inimigos.
54E os trouxe até sua fronteira santa, até este monte, que sua mão direita adquiriu.
55E expulsou as nações de diante deles, e fez com que eles distribuissem sua herança em partes, e fez habitar as tribos de Israel em suas tendas.
56Porém tentaram e provocaram com rebeldia o Deus Altíssimo, e não guardaram os testemunhos dele.
57Em vez disso, voltaram-se para trás, e foram infiéis como seus ancestrais; desviaram-se como um arco enganoso.
58Pois o provocaram à ira com seus lugares altos, e instigaram-lhe ciúmes com suas imagens de escultura.
59Deus ouviu, e se indignou; e detestou grandemente Israel.
60Por isso, abandonou o tabernáculo em Siló, a tenda que em ele habitava entre as pessoas.
61E entregou a arca de seu poder em cativeiro, sua glória na mão do adversário.
62E entregou seu povo à espada, e enfureceu-se contra sua herança.
63O fogo consumiu seus jovens, e suas virgens não tiveram canção de casamento.
64Seus sacerdotes caíram à espada, e suas viúvas fizeram lamentação.
65Então o Senhor despertou como quem havia dormido, como um homem valente que grita jubilante pelo vinho.
66E feriu seus adversários por detrás, e os pôs por desprezo perpétuo.
67Além disso, ele rejeitou a tenda de José, e não escolheu a tribo de Efraim.
68Mas escolheu a tribo de Judá, o monte Sião, que ele amava.
69E edificou seu santuário como as alturas; como a terra, que ele fundou para sempre.
70Também escolheu seu servo Davi, e o tirou dos apriscos das ovelhas.
71Do cuidado das ovelhas que davam crias, ele o trouxe para apascentar Jacó, seu povo, e Israel, sua herança.
72Assim ele os apascentou, conforme a integridade de seu coração, e os guiou pela habilidade de suas mãos.
A mesma passagem na Bíblia Livre, uma tradução evangélica em português atual. A numeração dos versículos pode variar entre as edições.
Explicação simples
O que significa o Salmo 78?
O Salmo 78 se abre como uma instrução: quem ora promete não esconder dos filhos os louvores, o poder e as obras do Senhor. A partir daí, o salmo narra a história de Israel desde o Egito, o mar dividido, a nuvem e o fogo que guiavam o povo, a água da rocha, o maná e as aves no deserto. Mas ao lado de cada milagre está a mesma cena repetida: o povo esquece, duvida e se rebela, mesmo com a comida ainda na boca. Deus se ira e disciplina, mas também perdoa, porque 'Muitas vezes reteve sua cólera'. O salmo termina escolhendo Davi, tirado do cuidado das ovelhas, para pastorear o povo com integridade.
É atribuído a Asaf, não a Davi, embora fale de Davi no final; a tradição judaico-cristã sempre valorizou esse tipo de salmo como ensino para as gerações futuras, tanto na fé católica quanto na evangélica. Orar o Salmo 78 é aceitar o convite de contar à próxima geração o que Deus fez, em vez de deixar a memória se perder. Também é um espelho honesto: expõe como é fácil esquecer a bondade recebida assim que a dificuldade passa. Ler esse salmo até o fim ajuda a reconhecer, na própria vida, os momentos em que a memória da fidelidade de Deus falhou.
Uma dúvida comum
É o Salmo 78 ou o Salmo 77?
Na numeração hebraica, usada pela maioria das Bíblias no Brasil, este é o Salmo 78. A Bíblia Ave Maria e outras edições católicas seguem a numeração antiga da Vulgata, por isso o mesmo texto aparece nelas como Salmo 77. É o mesmo salmo, com a mesma mensagem: só o número muda.
Leia o salmo por partes, sem pressa, prestando atenção à história que ele conta.
Reconheça diante de Deus algum momento em que você esqueceu o bem que ele já fez.
Escolha uma obra concreta de Deus na sua vida para contar a alguém, filho, neto ou amigo.
Termine pedindo a Deus que renove em você a memória fiel do que ele fez.
Oração inspirada no Salmo 78
Oração de memória inspirada no Salmo 78
Senhor, tantas vezes esqueci o bem que já fizeste por mim, como se nunca tivesse acontecido. Perdoa a minha memória curta e renova em mim a lembrança da tua fidelidade. Ajuda-me a contar aos meus filhos, ou a quem estiver perto de mim, o que tu já fizeste. Que eu não repita, geração após geração, o mesmo esquecimento. Amém.
Perguntas sobre este salmo
Quando orar o Salmo 78?
Por que o Salmo 78 é tão longo?
Porque é um salmo de ensino: conta com detalhes toda a história de Israel no Egito e no deserto para que a próxima geração não esqueça as obras de Deus. Vale a pena lê-lo aos poucos.
O Salmo 78 fala sobre esquecer as bênçãos de Deus?
Sim, é um dos seus temas centrais. Várias vezes o povo vê um milagre e, logo depois, volta a duvidar; o salmo expõe essa memória curta com honestidade.
O Salmo 78 é de Davi?
Não; o cabeçalho o atribui a Asaf. Davi aparece só no final, quando Deus o escolhe para pastorear o povo, tirado do cuidado das ovelhas.
Preparado pela equipe do Salmo, com o texto bíblico reproduzido letra por letra das edições citadas. Como revisamos este conteúdo.
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